domingo, 19 de junho de 2016

PINDOBAÇU ANTES E DEPOIS DA CHEGADA DA ENERGIA ELÉTRICA.



Pindobaçu uma pequena cidade no nordeste do Estado da Bahia, localizado no polígono das secas que é circundada pelos municípios de Mirangaba, Antonio Gonçalves, Filadélfia, Ponto Novo e Saúde. Esta região pode ser comparada a um oásis, pois os rios que cortam o município formam atualmente três grandes lagos artificiais, como a Barragem dos Apertados, no Rio Aipim; Barragem de Pindobaçu, represando o Rio Capivara; e o Itapicuru-açu, e a Barragem do Ponto Novo, que represa os Rios Aipim, o Itapicuru-açu e o Paíaia.
Mapa atualizado do Município de Pindobaçu


Pindobaçu ainda é pacata nos dias atuais, e passa por um processo de aculturação a exemplo de varias pequenas cidades do interior do Brasil, certamente falta aos jovens o conhecimento do passado da sua cidade e valorização do mesmo, identificando assim que muitos se empenharam e também fizeram historia, da maneira que a época permitia, e é com este intuito também que resolvemos participar deste projeto, resgatar o passado da energia elétrica, é resgatar parte da história de Pindobaçu.


O texto que veremos a seguir relata, a partir de informações orais, desde a primeira usina de geração de energia, pelo motor a diesel, até a chegada da energia gerada pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, CHESF, no início dos anos setenta. Ele foi redigido com o auxílio das entrevistas realizadas pelos alunos do 1º ano Aceleração, do turno da Noite do Colégio Estadual de Pindobaçu.

“No principio, deus criou o céu e a terra. ... .Deus disse: Haja luz. E houve luz”. 


Bíblia de Jerusalém.Gênesis 1, 1-5;




Segundo relato de antigos moradores, a exemplo do Desembargador Aloísio Palmeira, que viveu sua infância conhecendo cada detalhe da antiga Pindobaçu, a iluminação publica ate 1949 era resumida apenas a dois lampiões movidos a carbureto que eram colocados todas as noites na atual Praça Pedro Luiz, e na antiga estação da Leste Brasileira e permaneciam acessos ate as dez horas da noite, “eles tinham uma luz com a cor azulada, bem fraca” e exalavam um cheiro característico do seu combustível, um funcionário ficava responsável em ascender e apagar os tais lampiões.
A primeira usina de geração de energia que abrigava um motor movido a óleo diesel foi inaugurada em Pindobaçu quando esta ainda era um pequeno distrito do município de Campo Formoso, em 1949 o Prefeito Artur Regis, é o mentor da obra, traz junto consigo na inauguração o Deputado Estadual na época Dr. Basílio Catalã de Castro, João Paulo de Olinda, Administrador Distrital, Tico Gonçalves, e também Miguel Maia de Carvalho, que será um dos prefeitos de Pindobaçu após sua emancipação política.
  Naquele dia foi uma grande festa observe os trajes de festa até das crianças, os oradores se revezavam para enaltecer o tão grande feito, e realmente foi por mais de duas décadas, a única fonte de energia que iluminou aquele pequeno Distrito.

 

Inauguração da Usina de Luz, 1949 realização de Artur Régis, Prefeito de Campo Formoso
Foto arquivo pessoal do Sr. Paulo de Olinda

Naquele dia foi uma grande festa observe os trajes de festa até das crianças, os oradores se revezavam para enaltecer o tão grande feito, e realmente foi por mais de duas décadas, a única fonte de energia que iluminou aquele pequeno Distrito.


Naquela época as coisas demoravam de acontecer, em 1945 já se havia criado a empresa que levaria energia ao sertão, o ato de criação da Chesf, através do Decreto Lei nº 8.031, de 3 de outubro de 1945. Seu idealizador foi o engenheiro agrônomo Apolônio Sales, Ministro da Agricultura no governo do presidente Getúlio Vargas. Mas apenas em 1954 entra em operação da Usina de Paulo Afonso I, com 180 mil kW de potência instalada.


Em 1967, iniciou-se o funcionamento da usina de Paulo Afonso IIB. Mais 228 mil kW de potência instalada no Nordeste finalmente em 1971 entra em funcionamento da usina de Paulo Afonso III. Uma usina com 794 mil kW. E a energia vai chegar a Pindobaçu, 22 anos após a inauguração da Usina de Luz de Artur Régis.


Fonte: http://www.pauloafonso.ba.gov.br/turismo/internas/atrativos/?id=29




Segundo as pessoas entrevistadas, que viveram na época da iluminação a gerada pelo motor, poucas ruas eram iluminadas no centro da cidade, assim sendo a periferia estava fora do sistema de iluminação. A capacidade de geração do motor era limitada, inicialmente funcionou entre onde hoje está localizada a residência dos padres e a Igreja Matriz de Pindobaçu; mais tarde o mesmo foi transferido para um espaço entre o antigo cinema onde funciona a Câmara de Vereadores e o antigo bar chamado SAMBÃO.

A população já sabia que o motor funcionava das 18 horas até as 22 horas, e naturalmente as pessoas se sentiam protegidas, neste período, para trafegar nas ruas centrais, mas para os mais desavisados, um código simples ajudava a despertar para o horário de retornar a suas residências, o funcionário diminuía a velocidade e aumentava novamente por duas vezes para finalmente encerrar dando tempo para que as pessoas que por qualquer motivo estivessem na rua fossem para casa.

Um dos primeiros responsáveis pelo motor de que se tem noticias chamava-se Pedro Motorista, que era uma pessoa cheia de profissões, como mecânico, pedreiro, eletricista entre outras. Tempos depois um funcionário da prefeitura, e também um empreendedor na cidade o senhor Cezar Alberto Paiva Pacheco, popularmente conhecido como Betinho, que hoje vive em Salvador; Betinho não só era responsável pelo funcionamento do motor como também era fotografo, mantinha seu estúdio fotográfico na travessa Martinho Barbosa, era proprietário do Sambão, e também trazia da capital, os filmes que eram exibidos para a sociedade no cinema local, fazia parte da cultura dos Pindobaçuenses ir ao cinema, assim como já fez parte do cotidiano dos Carnaibanos.

Mas por muitas vezes o procedimento de desacelerar e acelerar novamente o motor era esquecido não se sabe bem o motivo e simplesmente o tal responsável desligava tudo de vez, de forma irresponsável, o que acabava deixando muitos namorados e transeuntes atônitos. No outro dia ouvia-se o lamento das pessoas nas ruas.
- Ontem desligou o motor de uma vez?!

Não se pode negar o romantismo da época em que as casas eram iluminadas por candeeiros, e lampião movido a querosene, época dos seresteiros que adoravam o luar, das estórias contadas nas calçadas das casas, das cantigas de roda, das brincadeiras de pega e esconde, polícia e ladrão, bandeirinha, boleado, do beijo roubado no assustado com a vitrolinha movida a pilhas ray-o-vac. Levar  a namorada ao cinema, era o máximo mesmo os bancos não sendo acolchoados, mas poder segurar na mão da namorada sem a sogra e o sogro por perto. 



Apesar do saudosismo sabemos que tudo tem seu tempo, e se para alguns, aquilo era vida com certeza os que vivem hoje não pensam da mesma maneira.



Foliões preparando-se para o Carnaval






 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente mande sugestões para williams.historia@gmail.com