sexta-feira, 8 de julho de 2016

FINALMENTE A ENERGIA DE PAULO AFONSO CHEGA AO CIDADE DAS ESMERALDAS DA BAHIA - PINDOBAÇU SE ILUMINA


 
Fonte da imagem: 
https://www.chesf.gov.br/SistemaChesf/Pages/SistemaGeracao/PauloAfonsoI.aspx

Durante os anos 1970 ao ano de 1972, o governo militar decretou um mandato intermediário para os prefeitos, de dois anos, segundo eles para igualar as eleições de Prefeitos, Deputados e Senadores; o Prefeito eleito para o período foi Cecentino Pereira Maia, conhecido como Manelinho, neste período a energia foi inaugurada, para entender o cenário é bom lembrar que os postes já estavam  colocados, inclusive com toda a fiação desde 1969, no mandato do então Prefeito Osvaldo Paulino dos Santos, o Valdinho, na verdade a participação destes dois líderes políticos da época, foi de grande importância para a chegada da energia em Pindobaçu, demonstrando um processo de continuidade administrativa, que não é muito facil de acontecer no Brasil
Desta maneira por meio de um motor movido a diesel, a energia foi gerada até 1971, quando finalmente a Chesf, através da Coelba, assume a distribuição da energia na cidade, o motor finalmente descansa em Pindobaçu depois de 22 anos; ele foi transferido para o Distrito de Várzea Grande, e o Senhor Amado vai cuidar dele por outros tantos anos.
Um fator interessante com a energia produzida pela Hidroelétrica era o seguinte: nos primeiros anos não existiam automático para ligar e desligar as luzes da iluminação pública, pois assim que sol desaparecia por completo atrás da Serra da Santa Cruz, no oeste da cidade, os funcionarios da prefeitura buscavam pontos onde existiam disjuntores que eram acionados para que a iluminação publica fosse acionada, estes disjuntores eram distribuídos por pontos estratégicos da cidade,  ali o funcionário passava e acionava e seguia para o próximo, era responsável para acender as luzes ao entardecer e e desligava-os ao amanhecer, durante muitos anos este trabalho foi exercido pelo senhor Claudionor Miranda, conhecido Dodô que ainda reside na cidade, e continuou assim por algum tempo até o surgimento do automático.
Portanto mesmo a Hidreletrica de paulo Afonso iniciando sua produção de energia no fim dos anos 40, esta sonhada energia so chega a Pindobaçu no inicio dos anos 70 do século passado, isso nos remete a uma situação comica no dia da inauguração, segundo um antigo funcionario do município na época foram colocados três disjuntores para atender a a falta de tecnologia, estes ficavam em pontos separados nas ruas da cidade, era necessário que todos fossem ligados ao mesmo tempo para que a solenidade ficasse completa, então especialmete neste dia tres pessoas foram disponibilizadas, então logo que o prefeito discursasse, e os foguetes encerrassem a solenidade. Algum desavisado ou algum oposicionista ao governo da época acabou realizando o feito, e soltou um foguete, antes da hora programada o que levou os funcionários a executarem o combinado e acionassem os tais disjuntores, fazendo a inauguração antes das palavras do Prefeito Cecentino, fosse proferidas, e como o acontecido não dava tempo deixar de acontecer, a luz estava acessa e a cidade iluminada, resultado da história a luz mesmo atrasada, pois já existia desde os anos 40 chegou antes da hora afinal o prefeito ainda não havia inaugurado 

VIDA E COTIDIANO DOS PINDOBAÇUENSES


Casa do chefe político de Pindobaçu em 1949, Emilio Hilarião, hoje está casa pertence à dona Vanda Caetano.
Foto arquivo pessoal do Sr. Paulo de Olinda


O concreto e o cimento ainda não eram umas coisas tão comuns, a maioria das casas era construída de adobe - tijolo de barro, seco ao sol - e a massa usava-se barro misturado com cal, os postes onde eram colocadas as lâmpadas e passava a fiação, que hoje são de cimento na época eram de madeira, que eram um material de fácil acesso, graças a vistosa mata que cobria nossas serras com cedro, vinhático, e outras madeiras de lei, e de trilhos de trem comuns nas linhas férreas e bastante pesados.
O Colégio funcionava até a de 5ª a 8ª séries era o chamado Oscar Cardoso que funcionou até 1975, o governo militar federal e o governo estadual não mandava verbas para manter a escola, nem livros para os alunos, o que dificultava ainda mais a busca do conhecimento pelos mais carentes, tempos difíceis. Aulas durante a noite segundo os entrevistados, era impossível de serem realizadas devido a escuridão, apenas durante o surgimento do projeto do governo militar, baseado nas idéias do educador Pernambucano Paulo Freire é implantado, o chamado MOBRAL, que tinha como objetivo de fachada a alfabetização de Jovens e Adultos e por outro lado que estes adultos apenas aprendesse a assinar o nome para poder votar, já que na época era proibido analfabeto votar. Fato que só foi modificado depois da constituição de 1988.
A arrecadação de impostos era feita através da coletoria que funcionava na Prefeitura Municipal de Pindobaçu, o funcionário responsável por isto era Teógenes, seu Teté, os bancos só existiam na cidade de Senhor do Bonfim e ninguém falava de internet naquela época.  

Uma das dificuldades mais comuns nos dias atuais é o acesso das pessoas menos favorecidas a determinadas tecnologias, ou por desconhecimento das mesmas ou por dificuldades de ordem financeira, naquela época a situação era ainda pior, visto que as dificuldades para todos, de toda ordem, eram bem maiores.
Os aparelhos elétricos eram raros, haviam geladeiras movidas a querosene, onde apenas algumas pessoas possuíam, e em alguns bares, mais tarde foi substituída pela geladeira movida a gás de cozinha, com um botijão destes que usamos na maioria dos fogões, o ferro de passar roupas não era elétrico com uma resistência, mas sim era feito de ferro onde se acondicionava brasas de carvão vegetal, com isto se aquecia o ferro e as roupas eram passadas, ou engomadas como era mais comum se dizer.
Conservar alimentos não era nada fácil para a maioria da população daquela época, pois geladeira era algo raro, o que era fácil era chegar em uma festa e ter que tomar a cerveja quentíssima, e o refrigerante Frately, da Brahma natural; a carne fresca só no dia da feira, o resto da semana a carne era salgada para não apodrecer.
Os meios de comunicação eram escassos o telefone só nas cidades maiores, se quisesse ligar para os grandes centros era necessário deslocar-se para Senhor do Bonfim, Campo Formoso ou para Jacobina, o telefone só chega a Pindobaçu nos anos oitenta, e o celular até outubro de 2007 não havia chegado, a melhor forma de comunicação, na época, era os Correios e Telégrafos que tinha Dona Laura e Seu Nelson, antes o correio funcionou em uma casa nos fundos da Lanchonete Pracinha, depois na casa da esquina próximo aos Correios atuais, as cartas e os telegramas faziam aglomeração no correio no horário de abrir o malote às pessoas faziam fila para ouvir cantado o seu nome nas correspondências, era algo que só quem presenciou para sentir a emoção, pode descrever.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O CLUB SOCIAL PINDOBAÇU IMPORTÂNCIA DE UMA ÉPOCA



Os eventos da cidade geralmente eram realizados no Clube Social de Pindobaçu onde hoje funciona o Rotary, que na época era um depósito da Prefeitura até e que o Prefeito Cescentino Pereira Maia, durante o seu mandato de dois anos, transformou em Clube Social, também lá se realizavam festas da sociedade pindobaçuense. Outros locais que tivesse um bar onde, o salão fosse bem espaçoso, a exemplo do que acontecia no bar do “Seu Tintino” onde hoje é o ''A Mercearia do Baratão'' e próximo ao antigo bar de Pedro Luiz, na praça principal que hoje é de sua viúva, Professora Julieta e no “Bar de Seu Deijo” Adejacy Cardoso, que também foi vereador de  1982 a 1988,  onde hoje esta estabelecida a Farmácia Freitas.


Vista do Bar do Seu Tintino Rocha, Igreja Matriz e a seta aponta para a usina do motor da Energia Elétrica
Foto arquivo pessoal do Dr. Aloísio Palmeira



Para ter acesso a festa não bastava pagar o ingresso, era obrigatório usar terno e gravata, quem não tivesse um terno já estava banido do salão, usar bermudas, nem no carnaval, só começou a usar tal traje no clube durante as festas de momo, no fim dos anos 80, ate la quem tentasse mudar a norma era visto como arruaceiro.
Pindobaçu teve músicos tradicionais, quando hoje observamos a luta dos músicos da terra pelo espaço na mídia, como Zé Moreira, Rick do Acordeom, Primodart, Sókebrança,e Anônimos entre outros, não podemos esquecer da tradição que vem de longe, músicos como os que formavam os primeiros grupos musicais da época que tocavam “Clarinete de Miguel Feitosa e Osvaldo Feitosa, o Seu Rixo e João Caboclo, Saxofone de Quincas Gastão e Clérisvaldo, o Seu Clerí que atuou por muito tempo na recepção da Prefeitura, daí acompanhava as violas, cavaquinho, o banjo, pandeiro, tambor (conhecido como surdo) o triângulo e a inesquecível acordeon”.
                 “As duas festas mais animadas desta pequena cidade, era festa de outubro(festa do Padroeiro Senhor Bom Jesus) que deixou muita saudade e natal. O Natal era mais simples, mais também era animado”. Segundo a aluna Dinalva Santana, que lembra-se das festas do padroeiro Bom Jesus com saudades, da feira-chique, dos leilões e, da cestinha de papelão enfeitada, cheia de castanhas, saudoso Pindobaçu das antigas.