terça-feira, 26 de maio de 2020

A IMPORTÂNCIA DA FERROVIA (O trem da grota)


                  A qualidade da vida urbana está associada à qualidade da mobilidade. E as ferrovias são de fundamental importância nesse contexto, pois trazem muitos benefícios para as comunidades por onde passam e para o país como um todo.
A história da ferrovia nacional remete ao final do século XVIII, quando os trens eram de extrema importância para o escoamento das mercadorias, em outras partes do mundo e o brasil começava a ligar-se por estradas, de ferro levando desenvolvimento e transportando pessoas e mercadorias,  Devido à grave crise ferroviária principalmente quando o país continental como o Brasil, nos anos 1960 do século XX escolheu o transporte rodoviário, espelhando-se nos Estados Unidos, busca no transporte rodoviário a solução dos problemas de transporte e unidade do país, mas cada país com a sua realidade, com a concorrência com as rodovias a ferrovia ficou cada vez mais inviável no Brasil, mas assim  sendo o governo decidiu privatizar o setor. 
Em todo o Brasil, 80 mil pessoas trabalham em ferrovias atualmente. A ferrovia está geralmente associada a um determinado ciclo econômico. Com isso, ela se torna parte da história local e também das lembranças de moradores. Por isso, não é incomum objetos de vagões e histórias das ferrovias fazerem parte de exposições de museus de cidades, principalmente no interior. Em algumas delas, a ferrovia se tornou, inclusive, um patrimônio histórico.
As ferrovias têm pouco gasto de energia e poluem menos o meio ambiente. Alguns trens da Vale, por exemplo, já utilizam biodiesel, combustível com menor impacto ambiental. Além disso, as ferrovias não correm risco de congestionamentos, que podem causar perdas financeiras.
                     O transporte ferroviário de cargas que em sua maioria são matéria-prima para aparatos básicos da sobrevivência humana. Por isso, elas têm forte participação tanto na economia nacional quanto mundial, consequentemente tornaria o mercado brasileiro mais competitivo. mas a nossa ferrovia, com seu trem que tinha o apelido de Trem da Grota agora são só memórias.



DADOS DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE PINDOBAÇU
Cia. Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien (1917-1935)
V. F. F. Leste Brasileiro (1935-1975)
RFFESA (1975-1994)
Linha Centro-Sul - km 485,023(1960)                     BA-3948
Altitude: 431 m PINDOBAÇU                                    Inauguração: 01.03.1917
Município de Pindobaçu, BA


HISTORICO DA LINHA:

A linha Senhor do Bonfim-Iaçu foi entregue ao tráfego ferroviário aos poucos. Enquanto de Senhor do Bonfim, na linha Centro, a linha foi sendo construída até 1937,  o primeiro trecho chegou a Pindobaçu em 1917, quando chegou a Barra (Mundo Novo), de Paraguassu (Iaçu)1937, na linha Sul, a linha saiu para alcançar Itaíba em 1928 e Flores (Rui Barbosa) em 1951. 

Mapa do Estado da Bahia com as linhas existentes em 1952. Em vermelho, a linha Iaçu-Bonfim, completada em 1951

Trens de passageiros circulavam pelos dois ramais isolados um do outro desde o início. Bastante próximas, Flores e Barra foram unidas e em 1953 a linha já funcionava em toda a sua extensão. Por ela andava o "Trem da Grota", extinto em 1977. 

O próprio ramal foi suprimido depois disso (oficialmente, em 1994) em condições não muito bem explicadas, pois era uma variante que encurtava a linha Norte-Sul no País, além de evitar o gargalo do rio Paraguassu, em Cachoeira, na linha Sul. Hoje nada mais existe dessa linha a não ser algumas das antigas estações.


A ESTAÇÃO: A estação de Pindobaçu foi inaugurada em 1917, segundo o Guia Geral de Estradas de Ferro do Brasil de 1960. Segundo um texto na Wikipedia, a data seria 1914: no entanto, não é possível, pois o ramal foi realmente inaugurado em 1917. O que poderia ter ocorrido é que o início das obras de construção da linha e da estação tenha sido no ano de 1914. A estação e a cidade foram por algum tempo ponto final de uma linha de trens de passageiros que partia de Senhor do Bonfim. Em 1953, essa linha ainda existia, mesmo existindo outra que passava pela cidade, vinda também de Senhor do Bonfim e seguindo para Barra (atual Mundo Novo). A estação ainda está de pé, bem conservada externamente. Fica na praça Emílio Hilarião.
Estações eonstruidas e inauguradas, entre Senhor do Bonfim e Jacobina, por ano de inauguração, marcadas em amarelo, as inauguradas dentro da area territórial do Municipio de Pindobaçu - Bahia 










https://repositorio.ufba.br/handle/ri/11625 

Neste link podemos encontra a dissertação de mestrado de  Aloisio Santos da Cunha que nos ofereçe uma fantastica descrição sobre o trem da grota desde a implantação até o seu final, material muito bom de ser estudado e que deve ser comentado e transcrito em nosso Blog.


(pg 156) Cunha, Aloísio Santos da.  Descaminhos do trem: as ferrovias na Bahia e o caso do trem da Grota
(1912-1976) / Aloísio Santos da Cunha. – Salvador, 2011. 233 f.: il.


BANCO DO BRASIL S.A. EM PINDOBAÇU

BANCO DO BRASIL S.A. EM PINDOBAÇU

Imagem do site do IBGE
Antiga sede do Banco do Brasil, em Pindobaçu construída no final dos anos 70 com o objetivo de incentivar a economia regional, e ajudou a implementar a politica econômica da época, obra estratégica ajudou a economia do município, e colocou definitivamente o município no mapa econômico do Brasil,. 


(Ambientação no Brasil da época)

Quanto à evolução do número de dependências da rede bancária nacional, no período de 1967 a 1978, houve tanto a contínua expansão do número de agências, postos de atendimento bancário, escritórios de representação e outras dependências do Banco do Brasil, quanto um processo de redução, no final dos anos 60, da quantidade de agências dos outros bancos comerciais. O BB procurou acompanhar o movimento de expansão da fronteira agrícola e atender aos pleitos municipais de instalação de “agências pioneiras”. Seu foco esteve, principalmente, no lado do crédito. Por outro lado, o processo de abertura de novas agências dos demais bancos colocou prioridade na captação de depósitos, a principal fonte de recursos nos centros financeiros...

Essa ampliação da rede de agências de cada banco foi acentuada pela aceleração do processo de concentração bancária, iniciada desde o pós-guerra, mas que ganhou, nesse período, apoio deliberado da política governamental de fomentar fusões e incorporações bancárias18. Essa política, em função dos elevados custos envolvidos nas incorporações, não atingiu o anunciado propósito de, no curto prazo, via economia de escala, baixar custos e taxas de juros...

Os demais bancos comerciais tinham pouco interesse em realizar operações com o setor rural. Esses empréstimos teriam custo operacional mais elevado, além de ser potencialmente mais arriscados. Havia a necessidade de elevada burocracia (documentos comprobatórios) e de estrutura onerosa para realizar tais operações. Eram maiores as possibilidades de inadimplência dos produtores rurais, devido à dependência de fenômenos climáticos, à forte volatilidade nos preços dos produtos agrícolas e à sistemática intervenção política paternalista, seja do Poder Executivo, seja do Congresso, perdoando dívidas.

BANCO DO BRASIL 200 ANOS
Entre reformas bancárias (1964-1984)

1.5. Evolução da concorrência bancária pgs 34 e 35


Banco do Brasil: 200 anos – 1964-2008. / Diretoria de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil. – Livro 2. -- Belo Horizonte : Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. 224 p. : il.
Imagem do Google Maps.

sábado, 23 de maio de 2020

A LENDA DAS ESMERALDAS (O sonho dos cabelos de Iara)

Desenho de Williams S.L.dos S. Junior

No século 17, há portanto mais de trezentos anos, dizia-se que no norte de Minas Gerais ficava uma serra muito alta ou Serra Resplandecente, assim chamada porque, quando o sol ao nascer se projetava sobre ela, a montanha começava a brilhar, cheia de cintilações verdes. Tal notícia chegou a São Paulo, à Bahia e a Portugal.

Os reis de Portugal, sempre ávidos de riquezas, prometeram mundos e fundos aqueles que descobrissem a tão falada serra. Lá sim, é que havia esmeraldas, ao alcance das mãos, como cascalho.

Muitos bandeirantes, desejosos de se tornarem nobres, resolveram sair à procura da Serra Resplandecente. Era claro que a descoberta ficaria pertencendo ao rei de Portugal, único dono de todas as minas existentes e por existir no Brasil. Mas o seu descobridor recebia um título de nobreza. Naquele tempo, ser fidalgo era ainda uma aspiração que enlouquecia a muitos brasileiros.

Quando Fernão Dias com sua bandeira chegou à lagoa Vupabuçu, que ficava no sopé dessa serra, perguntou a um índio mapaxó o motivo porque os selvagens impediam que os civilizados chegassem até lá. E o nativo respondeu:

- A Uiara morava nas águas claras da lagoa Vapabuçu.

Seu canto seduzia os guerreiros indígenas. Nas noites de Cairê, a Uiara subia à flor das águas e se punha a cantar. Atraídos por sua voz, os guerreiros vinham para as margens da lagoa e a Uiara os puxava para o fundo, de onde eles não mais voltavam. Então, os índios mapaxós pediram a Macaxera, o deus da guerra, que salvasse tantos guerreiros. Macaxera fez a Uiara dormir e mandou que os mapaxós vigiassem o seu sono e a sua vida. Seus cabelos eram verdes do limo das águas que se encontra no fundo da lagoa. Esses cabelos, muito longos entravam pela terra e, como eram da água em contato com a terra viravam pedra.

E Macaxera recomendou:

- A vida da Uiara está em seus cabelos. Um fio de menos será um dia de vida que ela perderá. Arrancar as pedras verdes é acordar a Uiara, que poderá morrer. E se ela acordar ou morrer acontecerá uma grande desgraça.

Fernão Dias não acreditava em lendas nem em coisas do outro mundo. Por isso não levou a sério a ameaça do índio e mandou os seus homens arrancarem os cabelos verdes da Mãe d´Água. Como foram arrancadas poucas pedras – que eram seus cabelos – ela nem sequer chegou a acordar.

Pouco depois do bandeirante apropriar-se dessas pedras verdes, adoeceu de febre e, na viagem de regresso para São Paulo, morreu. Sua morte foi atribuída a Tupã, como castigo por ter tirado um pouco dos cabelos da Uiara. E o índio teria exclamado:

- O emboaba morreu, a Uiara viverá!