quarta-feira, 29 de junho de 2016

O CLUB SOCIAL PINDOBAÇU IMPORTÂNCIA DE UMA ÉPOCA



Os eventos da cidade geralmente eram realizados no Clube Social de Pindobaçu onde hoje funciona o Rotary, que na época era um depósito da Prefeitura até e que o Prefeito Cescentino Pereira Maia, durante o seu mandato de dois anos, transformou em Clube Social, também lá se realizavam festas da sociedade pindobaçuense. Outros locais que tivesse um bar onde, o salão fosse bem espaçoso, a exemplo do que acontecia no bar do “Seu Tintino” onde hoje é o ''A Mercearia do Baratão'' e próximo ao antigo bar de Pedro Luiz, na praça principal que hoje é de sua viúva, Professora Julieta e no “Bar de Seu Deijo” Adejacy Cardoso, que também foi vereador de  1982 a 1988,  onde hoje esta estabelecida a Farmácia Freitas.


Vista do Bar do Seu Tintino Rocha, Igreja Matriz e a seta aponta para a usina do motor da Energia Elétrica
Foto arquivo pessoal do Dr. Aloísio Palmeira



Para ter acesso a festa não bastava pagar o ingresso, era obrigatório usar terno e gravata, quem não tivesse um terno já estava banido do salão, usar bermudas, nem no carnaval, só começou a usar tal traje no clube durante as festas de momo, no fim dos anos 80, ate la quem tentasse mudar a norma era visto como arruaceiro.
Pindobaçu teve músicos tradicionais, quando hoje observamos a luta dos músicos da terra pelo espaço na mídia, como Zé Moreira, Rick do Acordeom, Primodart, Sókebrança,e Anônimos entre outros, não podemos esquecer da tradição que vem de longe, músicos como os que formavam os primeiros grupos musicais da época que tocavam “Clarinete de Miguel Feitosa e Osvaldo Feitosa, o Seu Rixo e João Caboclo, Saxofone de Quincas Gastão e Clérisvaldo, o Seu Clerí que atuou por muito tempo na recepção da Prefeitura, daí acompanhava as violas, cavaquinho, o banjo, pandeiro, tambor (conhecido como surdo) o triângulo e a inesquecível acordeon”.
                 “As duas festas mais animadas desta pequena cidade, era festa de outubro(festa do Padroeiro Senhor Bom Jesus) que deixou muita saudade e natal. O Natal era mais simples, mais também era animado”. Segundo a aluna Dinalva Santana, que lembra-se das festas do padroeiro Bom Jesus com saudades, da feira-chique, dos leilões e, da cestinha de papelão enfeitada, cheia de castanhas, saudoso Pindobaçu das antigas.
 

domingo, 19 de junho de 2016

INFORMAÇOES ESSENCIAIS


Data de Instalação:
07/04/1955
Gentílico: pindobaçuense                         População*: 21.113 habitantes
Área: 496,28 km²
Densidade Demográfica: 42,54 hab/km² IDH**: 0,577
LOCALIZAÇÃO
Mesorregião: Centro Norte Baiano                      Microrregião: Senhor do Bonfim
Distância da Capital: 319,14 km               Altitude: 448,00 m
GESTÃO MUNICIPAL
Prefeito: Davi Menezes                            Partido: PP
Endereço da Prefeitura: Pça. Pedro Luiz, 140 - Centro
CEP: 44770-000

DISTRITOS E POVOADOS

o  Várzea Grande;
o  Carnaíba;
o  Serra de Carnaíba;
o  Jatobá;
o  Lajinha de Carnaiba
o  Marota
o  Marcelo
o  Itapicucu
o  Lajinha
o  Bananeiras
o  Fumaça
o  Lutanda
o  Olhos Dágua
o  Cajueiro



PRODUTOS
QUANTIDADE PRODUZIDA
MEDIDA
Extração Vegetal - Madeiras - carvão vegetal
2
tonelada
Extração Vegetal - Oleaginosos - babaçu
5
tonelada
Extração Vegetal - Oleaginosos - licuri - coquilho
8
tonelada
Feijão (em grão
1.515
Tonelada
Mamona (baga)
528
Tonelada
Milho (em grão)
749
Tonelada
Batata - doce
48
toneladas
Cana-de-açúcar
225
toneladas
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal 2014. Rio de Janeiro: IBGE, 2015.
ECONOMIA
A economia é baseada na agropecuária (importantes rebanhos de equinos e asininos) e no extrativismo vegetal (principalmente ouricuri e babaçu e mamona) e mineral (garimpos de ouro e pedras preciosas).
Na fronteira com o município de Saúde, há uma grande barragem construída recentemente sobre o Rio Itapicuru-açu, proporcionando água para irrigação das propriedades rurais vizinhas.
A cidade possui uma agência do Banco Bradesco e uma do Banco do Brasil e um posto das Loterias da Caixa Econômica Federal, pequenos estabelecimentos de comércio local, uma emissora de rádio comunitária Estação FM, quatro hotéis sedo entre eles destacam o Hotel Valmont e a Pousada Freitas e uma agência do Correio, Forum

CULTURA
           Uma tradição cultural era o reisado  que de tempos em tempos dá uma reagida e alguns grupos aparecem depois somem. Um que mais chamou atenção foi o AnaJo que tinha como patrono o juiz federal Dr Aloizio Palmeira, que fez apresentações memoráveis na praça Pedro Luis.
O Padroeiro católico da Cidade da cidade é o Bom Jesus, cuja festa anual é comemorada no dia em outubro. Há diversas manifestações populares durante as festas juninas, especialmente no São Pedro. O São Pedro de Pindobaçu aos poucos vem perdendo as tradições e devido a sua transformação em festa de largo tende a acabar em virtude dos altos valores cobrados pelas atrações regionais e nacionais e por perder suas características regionais que diferenciaria de outras festas o custo e a falta de conhecimento e valorização a tradição nordestina a exemplo da banda de pífano, sanfoneiros, quadrilhas juninas, brincadeiras de pau de sebo, corrida de saco, gincanas, escolha da rainha do milho, corrida de argolinha e uma variedade de comidas e bebidas típicas da época. Moradores da cidade ainda preservam o costume de acender fogueiras em frente a suas casas nas noites de Santo Antonio, São João e São Pedro.

PINDOBAÇU ANTES E DEPOIS DA CHEGADA DA ENERGIA ELÉTRICA.



Pindobaçu uma pequena cidade no nordeste do Estado da Bahia, localizado no polígono das secas que é circundada pelos municípios de Mirangaba, Antonio Gonçalves, Filadélfia, Ponto Novo e Saúde. Esta região pode ser comparada a um oásis, pois os rios que cortam o município formam atualmente três grandes lagos artificiais, como a Barragem dos Apertados, no Rio Aipim; Barragem de Pindobaçu, represando o Rio Capivara; e o Itapicuru-açu, e a Barragem do Ponto Novo, que represa os Rios Aipim, o Itapicuru-açu e o Paíaia.
Mapa atualizado do Município de Pindobaçu


Pindobaçu ainda é pacata nos dias atuais, e passa por um processo de aculturação a exemplo de varias pequenas cidades do interior do Brasil, certamente falta aos jovens o conhecimento do passado da sua cidade e valorização do mesmo, identificando assim que muitos se empenharam e também fizeram historia, da maneira que a época permitia, e é com este intuito também que resolvemos participar deste projeto, resgatar o passado da energia elétrica, é resgatar parte da história de Pindobaçu.


O texto que veremos a seguir relata, a partir de informações orais, desde a primeira usina de geração de energia, pelo motor a diesel, até a chegada da energia gerada pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, CHESF, no início dos anos setenta. Ele foi redigido com o auxílio das entrevistas realizadas pelos alunos do 1º ano Aceleração, do turno da Noite do Colégio Estadual de Pindobaçu.

“No principio, deus criou o céu e a terra. ... .Deus disse: Haja luz. E houve luz”. 


Bíblia de Jerusalém.Gênesis 1, 1-5;




Segundo relato de antigos moradores, a exemplo do Desembargador Aloísio Palmeira, que viveu sua infância conhecendo cada detalhe da antiga Pindobaçu, a iluminação publica ate 1949 era resumida apenas a dois lampiões movidos a carbureto que eram colocados todas as noites na atual Praça Pedro Luiz, e na antiga estação da Leste Brasileira e permaneciam acessos ate as dez horas da noite, “eles tinham uma luz com a cor azulada, bem fraca” e exalavam um cheiro característico do seu combustível, um funcionário ficava responsável em ascender e apagar os tais lampiões.
A primeira usina de geração de energia que abrigava um motor movido a óleo diesel foi inaugurada em Pindobaçu quando esta ainda era um pequeno distrito do município de Campo Formoso, em 1949 o Prefeito Artur Regis, é o mentor da obra, traz junto consigo na inauguração o Deputado Estadual na época Dr. Basílio Catalã de Castro, João Paulo de Olinda, Administrador Distrital, Tico Gonçalves, e também Miguel Maia de Carvalho, que será um dos prefeitos de Pindobaçu após sua emancipação política.
  Naquele dia foi uma grande festa observe os trajes de festa até das crianças, os oradores se revezavam para enaltecer o tão grande feito, e realmente foi por mais de duas décadas, a única fonte de energia que iluminou aquele pequeno Distrito.

 

Inauguração da Usina de Luz, 1949 realização de Artur Régis, Prefeito de Campo Formoso
Foto arquivo pessoal do Sr. Paulo de Olinda

Naquele dia foi uma grande festa observe os trajes de festa até das crianças, os oradores se revezavam para enaltecer o tão grande feito, e realmente foi por mais de duas décadas, a única fonte de energia que iluminou aquele pequeno Distrito.


Naquela época as coisas demoravam de acontecer, em 1945 já se havia criado a empresa que levaria energia ao sertão, o ato de criação da Chesf, através do Decreto Lei nº 8.031, de 3 de outubro de 1945. Seu idealizador foi o engenheiro agrônomo Apolônio Sales, Ministro da Agricultura no governo do presidente Getúlio Vargas. Mas apenas em 1954 entra em operação da Usina de Paulo Afonso I, com 180 mil kW de potência instalada.


Em 1967, iniciou-se o funcionamento da usina de Paulo Afonso IIB. Mais 228 mil kW de potência instalada no Nordeste finalmente em 1971 entra em funcionamento da usina de Paulo Afonso III. Uma usina com 794 mil kW. E a energia vai chegar a Pindobaçu, 22 anos após a inauguração da Usina de Luz de Artur Régis.


Fonte: http://www.pauloafonso.ba.gov.br/turismo/internas/atrativos/?id=29




Segundo as pessoas entrevistadas, que viveram na época da iluminação a gerada pelo motor, poucas ruas eram iluminadas no centro da cidade, assim sendo a periferia estava fora do sistema de iluminação. A capacidade de geração do motor era limitada, inicialmente funcionou entre onde hoje está localizada a residência dos padres e a Igreja Matriz de Pindobaçu; mais tarde o mesmo foi transferido para um espaço entre o antigo cinema onde funciona a Câmara de Vereadores e o antigo bar chamado SAMBÃO.

A população já sabia que o motor funcionava das 18 horas até as 22 horas, e naturalmente as pessoas se sentiam protegidas, neste período, para trafegar nas ruas centrais, mas para os mais desavisados, um código simples ajudava a despertar para o horário de retornar a suas residências, o funcionário diminuía a velocidade e aumentava novamente por duas vezes para finalmente encerrar dando tempo para que as pessoas que por qualquer motivo estivessem na rua fossem para casa.

Um dos primeiros responsáveis pelo motor de que se tem noticias chamava-se Pedro Motorista, que era uma pessoa cheia de profissões, como mecânico, pedreiro, eletricista entre outras. Tempos depois um funcionário da prefeitura, e também um empreendedor na cidade o senhor Cezar Alberto Paiva Pacheco, popularmente conhecido como Betinho, que hoje vive em Salvador; Betinho não só era responsável pelo funcionamento do motor como também era fotografo, mantinha seu estúdio fotográfico na travessa Martinho Barbosa, era proprietário do Sambão, e também trazia da capital, os filmes que eram exibidos para a sociedade no cinema local, fazia parte da cultura dos Pindobaçuenses ir ao cinema, assim como já fez parte do cotidiano dos Carnaibanos.

Mas por muitas vezes o procedimento de desacelerar e acelerar novamente o motor era esquecido não se sabe bem o motivo e simplesmente o tal responsável desligava tudo de vez, de forma irresponsável, o que acabava deixando muitos namorados e transeuntes atônitos. No outro dia ouvia-se o lamento das pessoas nas ruas.
- Ontem desligou o motor de uma vez?!

Não se pode negar o romantismo da época em que as casas eram iluminadas por candeeiros, e lampião movido a querosene, época dos seresteiros que adoravam o luar, das estórias contadas nas calçadas das casas, das cantigas de roda, das brincadeiras de pega e esconde, polícia e ladrão, bandeirinha, boleado, do beijo roubado no assustado com a vitrolinha movida a pilhas ray-o-vac. Levar  a namorada ao cinema, era o máximo mesmo os bancos não sendo acolchoados, mas poder segurar na mão da namorada sem a sogra e o sogro por perto. 



Apesar do saudosismo sabemos que tudo tem seu tempo, e se para alguns, aquilo era vida com certeza os que vivem hoje não pensam da mesma maneira.



Foliões preparando-se para o Carnaval