sexta-feira, 8 de julho de 2016

VIDA E COTIDIANO DOS PINDOBAÇUENSES


Casa do chefe político de Pindobaçu em 1949, Emilio Hilarião, hoje está casa pertence à dona Vanda Caetano.
Foto arquivo pessoal do Sr. Paulo de Olinda


O concreto e o cimento ainda não eram umas coisas tão comuns, a maioria das casas era construída de adobe - tijolo de barro, seco ao sol - e a massa usava-se barro misturado com cal, os postes onde eram colocadas as lâmpadas e passava a fiação, que hoje são de cimento na época eram de madeira, que eram um material de fácil acesso, graças a vistosa mata que cobria nossas serras com cedro, vinhático, e outras madeiras de lei, e de trilhos de trem comuns nas linhas férreas e bastante pesados.
O Colégio funcionava até a de 5ª a 8ª séries era o chamado Oscar Cardoso que funcionou até 1975, o governo militar federal e o governo estadual não mandava verbas para manter a escola, nem livros para os alunos, o que dificultava ainda mais a busca do conhecimento pelos mais carentes, tempos difíceis. Aulas durante a noite segundo os entrevistados, era impossível de serem realizadas devido a escuridão, apenas durante o surgimento do projeto do governo militar, baseado nas idéias do educador Pernambucano Paulo Freire é implantado, o chamado MOBRAL, que tinha como objetivo de fachada a alfabetização de Jovens e Adultos e por outro lado que estes adultos apenas aprendesse a assinar o nome para poder votar, já que na época era proibido analfabeto votar. Fato que só foi modificado depois da constituição de 1988.
A arrecadação de impostos era feita através da coletoria que funcionava na Prefeitura Municipal de Pindobaçu, o funcionário responsável por isto era Teógenes, seu Teté, os bancos só existiam na cidade de Senhor do Bonfim e ninguém falava de internet naquela época.  

Uma das dificuldades mais comuns nos dias atuais é o acesso das pessoas menos favorecidas a determinadas tecnologias, ou por desconhecimento das mesmas ou por dificuldades de ordem financeira, naquela época a situação era ainda pior, visto que as dificuldades para todos, de toda ordem, eram bem maiores.
Os aparelhos elétricos eram raros, haviam geladeiras movidas a querosene, onde apenas algumas pessoas possuíam, e em alguns bares, mais tarde foi substituída pela geladeira movida a gás de cozinha, com um botijão destes que usamos na maioria dos fogões, o ferro de passar roupas não era elétrico com uma resistência, mas sim era feito de ferro onde se acondicionava brasas de carvão vegetal, com isto se aquecia o ferro e as roupas eram passadas, ou engomadas como era mais comum se dizer.
Conservar alimentos não era nada fácil para a maioria da população daquela época, pois geladeira era algo raro, o que era fácil era chegar em uma festa e ter que tomar a cerveja quentíssima, e o refrigerante Frately, da Brahma natural; a carne fresca só no dia da feira, o resto da semana a carne era salgada para não apodrecer.
Os meios de comunicação eram escassos o telefone só nas cidades maiores, se quisesse ligar para os grandes centros era necessário deslocar-se para Senhor do Bonfim, Campo Formoso ou para Jacobina, o telefone só chega a Pindobaçu nos anos oitenta, e o celular até outubro de 2007 não havia chegado, a melhor forma de comunicação, na época, era os Correios e Telégrafos que tinha Dona Laura e Seu Nelson, antes o correio funcionou em uma casa nos fundos da Lanchonete Pracinha, depois na casa da esquina próximo aos Correios atuais, as cartas e os telegramas faziam aglomeração no correio no horário de abrir o malote às pessoas faziam fila para ouvir cantado o seu nome nas correspondências, era algo que só quem presenciou para sentir a emoção, pode descrever.

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